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17/03/2021 | 13:45 - Brasil / Política

Brasil perdeu o rumo, Mangabeira Unger comenta saídas para o Brasil e defende candidatura de Ciro

Foto : Metropress

Filósofo e ex-ministro falou que país está 'afundando num pântano de mediocridade

Professor, filósofo e ex-ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Roberto Mangabeira Unger falou um pouco de sua visão sobre o país e foi categórico ao dizer que o país "perdeu o rumo". Em entrevista a Mário Kertész hoje (17), durante o Jornal da Metrópole no Ar da Rádio Metrópole, ele citou que a estratégia do país não encontra respaldo na iniciativa de criar um desenvolvimento econômico amplo.
"O Brasil era, até 1870 a 1970, um dos países que mais cresciam no mundo. De 1980 para cá, caiu na estagnação. Perdeu o caminho, deixou de ter um projeto de desenvolvimento, uma estratégia que desse braças, asas e olhos à energia de seu povo. Tivemos, diante desse período todo, uma pseudo-estratégia com dois elementos: um era acertar as contas do governo para atrair a confiança financeira e, por meio dela, o investimento. Isso nunca funcionou em qualquer lugar do mundo", disse o ex-ministro. 
"O realismo fiscal é indispensável, mas não é para ganhar a confiança dos mercados financeiros, é pela razão oposta. É para que o Brasil e seu governo não tenham que ficar de joelhos diante dos mercados financeiros e possam ousar na construção de um projeto rebelde de desenvolvimento nacional. O segundo elemento é distribuir as sobras aos pobres por meio de programas de transferência. É o que eu chamo de pobrismo", classificou. 
Para Mangabeira Unger, não há um projeto econômico e social para ser aplicado no Brasil pelo atual governo, repetindo o que já aconteceu no passado. "Agora, o governo Bolsonaro, de alguma maneira, continua esse anti-projeto dos governos tucanos e petistas. É uma forma caricatural, tosca, grosseira e canhestra da mesma coisa. De um lado tem o Guedes fazendo média para os financistas e, de outro lado, o auxílio emergencial de araque e de ocasião, necessário, mas tomando o lugar da estratégia que não temos. Portanto, perdidos. Nós agora temos de construir um projeto e sair dessa", disse o ex-ministro. 
Qual seria a saída?
Mangabeira Unger também elencou possibilidades que o Brasil pode encarar para reverter este quadro. "A saída, a meu ver, tem quatro grandes partes. Uma parte é a qualificação de um aparato produtivo no Brasil. Nós nos desindustrializamos como grande parte do mundo. Não há volta ao paradigma industrial anterior. Qual é a alternativa? A alternativa seria a nova vanguarda produtiva, que chamamos a economia do conhecimento, densa em tecnologia e vocacionada para inovação permanente. Onde ela existe, ela existe na forma de um conjunto de franjas excludentes. Ilhas que excluem a grande maioria das empresas e trabalhadores. Nós teríamos de construir uma forma inclusiva e includente dessa nova vanguarda produtiva", avaliou. 
O segundo eixo, na avaliação dele, envolve uma capacitação do povo brasileiro e fomento à educação analítica e capacitadora. Ainda de acordo com Unger, um terceiro eixo consiste na tradução desse projeto em estratégias para as grandes regiões do país. 
"Um projeto nacional só vai se efetivar no Brasil quando tocar o chão da realidade nacional. Isso, por sua vez, exige a cooperação federativa, a reinvenção da federação. Um federalismo experimentalista e cooperativo, que associe os três níveis do sistema federativo, federal estadual e municipal, que no horizontal promova a cooperação entre estados e municípios, inclusive pelos mecanismos dos consórcios que propus aos governadores e começou a virar realidade no Brasil", afirmou o professor. 
"O quarto eixo é construir o resguardo da independência nacional, uma política exterior que permita ao Brasil liderar a convergência sul-americana em um projeto compartilhado de desenvolvimento na América do Sul, que reordene a nossa relação com as duas grandes superpotências da época, os EUA e a China, para condicionar nossa relação à nossa qualificação", finaliza. 
Ciro Gomes: a terceira via
Questionado por Mário Kertész, Roberto Mangabeira Unger disse ver no ex-ministro e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT), um candidato possível de executar este projeto. "O Brasil precisa viver um novo momento de afirmação nacional e de reconstrução das instituições a serviço dessa estratégia de desenvolvimento. Uma estratégia que nos capacite, nos eleve e nos permita subir a escada da qualificação econômica e educacional. Agora, isso exige um posicionamento político, agente político", classificou. 

"Esse agente político não pode ser nem essa forma caricatural do antigo, que é Bolsonaro, nem a continuação dos governos petistas. Tudo indica que mais ou menos metade do eleitorado não quer nem um e nem outro. Eu tenho lado e tenho um candidato. Eu vejo Ciro Gomes como o candidato indicado a representar na política essa alternativa nacional. Tem fibra, coragem e disposição de enfrentamento. Ele tem clareza sobre o caminho e ele é carimbado nos negócios do estado e no enfrentamento das dificuldades. Agora, estamos na confusão e na escuridão, como frequentemente ocorre no Brasil. As luzes estão apagadas e temos que acendê-las", declarou o ex-ministro.  

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