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10/11/2017 | 13:30 - Roraima / Cidades

RR. Venezuelana afirma que xenofobia e falta de emprego são principais problemas enfrentados

Aldirene Souza -

“Espero tantas coisas dessa audiência, principalmente trabalho, que haja uma mobilidade neste sentido. Reconheço que Boa Vista não tem como suportar tantas pessoas porque são mais de 35 mil imigrantes. Muitos estão aqui por não terem dinheiro para ir para outros estados. Espero que os entes governamentais façam um projeto, um convênio com grandes empresas, indústrias de outros estados, porque o Brasil é um país muito grande e pode dar mais oportunidade para empregar os imigrantes, porque há muitas pessoas qualificadas como engenheiros, doutores, com muito talento e preparação. Há muitas pessoas só querendo um emprego para mandar dinheiro para suas mães e filhos”, sugeriu, ao salientar que é preciso também ter um projeto para acolher as crianças que estão sem estudar.

 

SupCom ALERR

 

 

A história de Estefania Azuejo, 29 anos, pode ser a história de milhares de venezuelanos que fugiram da grave crise econômica e social que assola a Venezuela, deixando para trás familiares, a cultura, os costumes e os bens conquistados durante uma vida. Vítima da tirania do governo de Nicolás Maduro, há um ano Estefania se desfez do restaurante da família, vendeu quase tudo, pôs a mochila nas costas, entrou em um ônibus e deixou a cidade de Puerto de La Cruz, para tentar a sorte em Roraima. Como uma das participantes da audiência pública realizada, nesta quinta-feira, 9, na Assembleia Legislativa do Estado de Roraima (ALE/RR), espera que o próximo passo seja a união dos entes governamentais em prol de um projeto que oportunize os refugiados.

Ela deixou para trás as pessoas que mais ama: o marido e um casal de filhos de 3 e 8 anos de idade, que só em lembrar, fica emocionalmente abalada. Chegou ao Brasil com 12 quilos a menos do peso normal. A esperança de dias melhores foi freada ao descer do ônibus na Rodoviária Internacional de Boa Vista, quando se deparou com outros compatriotas na mesma situação.

“Lá em Puerto de La Cruz tínhamos um restaurante bem movimentando, mas tivemos que nos desfazer com a crise econômica. Decidimos que eu viria em busca de dias melhores. Quando cheguei à rodoviária e vi aquela massa imigratória foi muito difícil, e eu que pensava que era a única. Tive que dormir no chão junto com os demais, passando fome e comi porque as pessoas das igrejas levavam. Naquele momento pensei na realidade que iria enfrentar no Brasil”, contou.

Mesmo com o passaporte, o refúgio e a carteira de trabalho, Estefania, que é técnica em Instrumentação Industrial, não conseguiu emprego formal, até porque não tem campo em Boa Vista. Ela sobrevive e manda dinheiro para a família trabalhando como diarista.

“Sou uma pessoa integral e se não tem trabalho na minha área faço manicure, escova no cabelo, limpeza de casa, passo roupa e até bolo para vender nas praças”, relatou a jovem, ao salientar que está morando no bairro Cidade Satélite, em uma edícula cedida por um brasileiro, e que em troca da moradia faz as refeições e a faxina da casa. “É uma troca e estou muito agradecida”, afirmou.

O que mais a deixa triste em Roraima é a xenofobia e a falta de respeito das pessoas em geral, que quando sabem que ela é da Venezuela a confundem com prostituta. “Não vou julgar nenhuma mulher porque não sei das necessidades dela. Desde quando cheguei ao Brasil sai nas ruas, de porta em porta, recebi muitos maus tratos, mas não me prostitui e nem quero fazer isso. Sempre acreditei que o amanhã será um dia melhor. Mas muitas pessoas me julgam porque sou venezuelana. Muitos dizem que não contratam ‘veneca’ porque são pessoas más, ladrona, julgam a todos como iguais, e não somos”, disse aos prantos, ao salientar que apesar de ainda enfrentar o monstro do desemprego, a vida está melhor.

Estefania afirma que até compreende a rejeição de muitos brasileiros, mas ressalta que é preciso fazer outra leitura e buscar ter um olhar diferenciado. “Já conheci muitos brasileiros de coração bom e entendo que vocês não estavam acostumados a tantas pessoas no sinal, nas feiras e nos terminais vendendo e pedindo. Compreendo que é um choque social. Sei que há muitos venezuelanos praticando crime e por isso todos nós estamos sendo julgados como pessoas ruins, mas é preciso entender que nem todos são iguais. Nem todo brasileiro é ruim, assim como nem todos os venezuelanos são ruins. Há bons e maus, é equitativo e não se trata de nacionalidade”, afirmou.

Ela acredita que o custo barato da mão de obra dos venezuelanos tem sido outro ponto que deixa os brasileiros chateados. “Os venezuelanos cobram a mão de obra pela metade do preço, o que desvaloriza o trabalho do brasileiro, que fica com raiva, porque acaba faltando emprego também para os brasileiros, e isso é muito ruim”, analisou.

A audiência pública para discutir a situação da imigração venezuelana, no entendimento de Estefania, foi um grande passo dado pela Assembleia Legislativa. A expectativa dela é que o Poder Público se mobilize e encontre alternativas para ajudar os imigrantes.

“Espero tantas coisas dessa audiência, principalmente trabalho, que haja uma mobilidade neste sentido. Reconheço que Boa Vista não tem como suportar tantas pessoas porque são mais de 35 mil imigrantes. Muitos estão aqui por não terem dinheiro para ir para outros estados. Espero que os entes governamentais façam um projeto, um convênio com grandes empresas, indústrias de outros estados, porque o Brasil é um país muito grande e pode dar mais oportunidade para empregar os imigrantes, porque há muitas pessoas qualificadas como engenheiros, doutores, com muito talento e preparação. Há muitas pessoas só querendo um emprego para mandar dinheiro para suas mães e filhos”, sugeriu, ao salientar que é preciso também ter um projeto para acolher as crianças que estão sem estudar.  

Fonte: SupComALERR

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