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12/05/2019 | 20:47 - Amazonas / Meio Ambiente

AM. Microindustrial do Ano cria produtos com plantas amazônicas

Divulgação - Fieam

Schubert Pinto veio criança do município do Careiro, a 86 quilômetros de distância de Manaus, para morar na capital. A mãe, Catharina Pinto, era professora, mas o farmacêutico afirma que a veia empreendedora herdou do avô. “Meu avô, Joaquim Pinto, montou um engenho na sede de Autazes, em 1913, para produzir açúcar, rapadura e cachaça. Para a época, foi algo muito grande, construído aos poucos, sendo o meu avô o primeiro empreendedor da cidade, acredito que daí surgiu essa minha vontade de empreender”, contou.

 

Da vida acadêmica para o desafio empresarial na transformação dos recursos da biodiversidade amazônica em produtos da cosmética, alimentos encapsulados e perfumaria. O pioneirismo no setor é uma das marcas do mestre em Ciências Farmacêuticas e professor aposentado de Farmacotécnica da Federal do Amazonas (Ufam), Schubert Pinto, 68 anos que, há 18, fundou a empresa Pharmakos D’Amazônia. No dia 24 o empresário vai receber o título de Microindustrial do Ano, em sessão promovida pela Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM) e Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM), no Clube do Trabalhador.

Schubert Pinto veio criança do município do Careiro, a 86 quilômetros de distância de Manaus, para morar na capital. A mãe, Catharina Pinto, era professora, mas o farmacêutico afirma que a veia empreendedora herdou do avô. “Meu avô, Joaquim Pinto, montou um engenho na sede de Autazes, em 1913, para produzir açúcar, rapadura e cachaça. Para a época, foi algo muito grande, construído aos poucos, sendo o meu avô o primeiro empreendedor da cidade, acredito que daí surgiu essa minha vontade de empreender”, contou.

Ainda no curso de Farmácia, Schubert Pinto já se identificava com pesquisa, produção e inovação. E a criação da Pharmakos D’Amazônia, voltada aos cosméticos com base amazônica, surgiu de um questionamento dentro de sala de aula. “Eu me perguntei: o que se faz com as pesquisas, teses e dissertações de mestrado e doutorado da Ufam? Qual o resultado? É colocado na prateleira da biblioteca? Eu preciso produzir”.

Com apoio do Centro de Incubação e Desenvolvimento Empresarial (CIDE) – instituição criada e mantida pela FIEAM -, Schubert Pinto fundou a empresa com investimento inicial de R$ 13 mil para produzir, principalmente, dois produtos para dores musculares, o Icegell e o Gelmatgel.

Atualmente, a empresa gerida por Schubert Pinto Júnior e Samara Pinto Rodrigues, seus filhos, possui um portfólio de 70 produtos na linha de perfumaria, alimentos encapsulados e cosméticos. “Vendemos em um dia o que vendíamos em um mês. Às vezes conseguimos vender mais de 10 mil unidades em único dia”, contou, para revelar que uma máquina da fábrica produz de 1,2 mil a 1,6 mil produtos/hora.

“No início tínhamos basicamente dois funcionários, uma mesa de ferro e uma batedeira, para produzir em torno de 300 unidades por dia. Hoje com cerca de 40 colaboradores, atendemos 100 mil clientes ao mês e temos capacidade produtiva para três vezes mais”, disse Pinto, ao lembrar que a empresa ficou por sete anos no CIDE até migrar para sua localização atual no Distrito Industrial de Micro e Pequenas Empresas (Dimpe), no Tarumã.

Projetos da Pharmakos

O grande sucesso da empresa, segundo o farmacêutico, são os projetos inovadores realizados pela Pharmakos, tanto na produção como no desenvolvimento de novos produtos. Com o “Abonari”, primeiro projeto submetido à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), por meio do Programa de Apoio à Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Microempresas e Empresas de Pequeno Porte na Modalidade Subvenção Econômico (Pappe), houve a ideia do cultivo orgânico de plantas medicinais amazônicas certificadas.

Com o certificado concedido pela Ecocert Brasil em 2011, maior certificadora de produtos orgânicos do mundo, a Pharmakos se tornou reconhecida por desenvolver produtos sem uso de agrotóxico, desmate ou queimadas. O projeto, idealizado por Pinto, existe há oito anos, no Km 175 da BR-174, em sítio de área de 1 milhão e 500 mil metros quadrados.

“Quando começamos o projeto foi todo no formato orgânico, então era 100% natural. Hoje não temos mais a certificação, porque esse tipo de produto é muito segmentado e uma empresa pequena não pode segmentar assim, tem que vender de acordo com a demanda”, explicou o pesquisador, ao relatar que o produto orgânico tem valor agregado mais alto, mas no Amazonas ainda não paga esse preço pelos produtos.

De acordo com o fundador da empresa, o projeto foi e continua sendo fundamental para o crescimento da Pharmakos. Com a ausência de matéria-prima disponível o ano todo, principalmente em período de chuva, não era possível conseguir diversas plantas necessárias para produção, como o crajiru. Hoje, graças ao projeto, há mais de 10 mil plantas, juntamente com plantas urucum, amor crescido, copaíba e andiroba.

“Usamos o crajiru no sabonete íntimo, por ser um antisséptico natural e rejuvenescedor da pele. O diferencial do nosso produto é esse extrato de crajiru, porque todo sabonete íntimo faz só a assepsia, o nosso é uma prevenção de futuros problemas que possam acontecer. E vale ressaltar que não somos nós que dizemos isso, a UFAM fez o estudo e nós só fizemos a plantação”, ressaltou.

Dentre os produtos plantados no sítio, 100% suprem a demanda de produção da empresa e atualmente até sobra. “Futuramente teremos até matéria-prima para vender”, contou. O restante da demanda é comprado de comunidades ou de cooperativas do interior do estado.

Os carros-chefes de venda da Pharmakos são as linhas de gel e óleos para dores musculares, com a copaíba, um antiinflamatório natural na composição, o Gelmatgel, Icegell e Óleo Elétrico - para massagem, o sabonete íntimo a base de crajiru, e a parafina bronzeadora, que leva óleo de urucum na composição.

“Trabalhamos a cadeia produtiva amazônica, com foco no desenvolvimento sustentável. Então, a preocupação vem desde a plantação, passando pela elaboração e beneficiamento do produto, até o mercado consumidor. Gerando renda para microempreendedor”, disse ele, ao contar que plantas como copaíba demoram de 20 a 25 anos e por isso a demora na colheita no próprio sítio.

A castanha fez parte de outro projeto criado para Fapeam. Com a criação de phytocosméticos a partir do subproduto da castanha, o pesquisador percebeu que com o óleo extraído do fruto era possível ser feito o sabonete, o resíduo da casca se fazia o esfoliante e com o ouriço surgia a embalagem da saboneteira biodegradável, na tentativa de substituir as de plástico que poluem o meio ambiente. “Estamos no processo final para comercializar esse produto, que vai ter um valor agregado alto pela originalidade e por ser feito a mão”.

Hoje o fundador da empresa atua como diretor de produção, sendo sócios proprietários os filhos, o economista Schubert Pinto Júnior e Samara Rodrigues, farmacêutica como pai. “Sou responsável pelo PD&I (Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação) da Pharmakos, então todos os produtos ou são criados por mim ou modificados por mim”, disse.

 

Vendas no Brasil e no exterior

A empresa, tocada pela sociedade dos filhos Schubert Pinto e Samara Pinto, está presente na maioria das drogarias da cidade de Manaus, e possui representantes e distribuidores em alguns estados do Brasil, como São Paulo, Paraíba, Pará, Boa Vista, Rondônia, Ceará, Maranhão e Florianópolis.

No final de abril, a Pharmakos inaugurou a primeira loja fora do país, localizada na cidade de Matosinho, no distrito de Porto, em Portugal. Ainda em escala experimental, a loja oferece amostra dos produtos feitos pela empresa em Manaus. “Atualmente estamos trabalhando para conseguir registro na União Europeia como um todo, não só em Portugal, porque há interessados na Suíça, Espanha e Itália”, disse.

Nos Estados Unidos da América (EUA), a empresa tem depósito em Miami e pretende expandir para Orlando. “Hoje vejo que a empresa cresceu e está além dos limites do país e claro que isso não pode ser um mérito só meu, a empresa é deles, dos meus filhos. Sem eles a Pharmakos não teria chegado até aqui”, reconhece o homenageado da indústria.

Homenagens

A empresa em 2020 provavelmente vai se enquadrar na categoria de média empresa por conta do faturamento superior a R$ 4 milhões, segundo Pinto. A Pharmakos já ganhou sete prêmios FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos) de qualidade, inovação do produto e gestão de empresa.

Em 2017, a Pharmakos foi também ganhadora do Prêmio Nacional de Inovação 2016/ 2017 da Confederação Nacional da Indústria (CNI), na categoria Marketing das micro ou pequenas empresas, sendo a única empresa da região norte vencedora dentre todas as categorias do prêmio.

No mesmo ano, a empresa foi vencedora da 5ª Edição do Prêmio Abihpec (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoa, Perfumaria e Cosméticos)- Beleza Brasil, na categoria Empreendedorismo, ambos em nível nacional.

Com o título de Microindustrial do Ano 2019, Schubert Pinto disse estar emocionado e com muita gratidão em rever todo o caminho que percorreu até chegar esse momento. “A FIEAM por meio do CIN (Centro Internacional de Negócios) sempre fez parte do crescimento da Pharmakos, as feiras e cursos nacionais e internacionais nos fizeram crescer e com isso conseguimos criar o networking necessário para a nossa primeira loja no exterior”, disse.

 

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